EDIÇÃO

A VOZ DA PÁTRIA — n.77 (nov/1951)

Datado de 30 de novembro de 1951, este exemplar do jornal A VOZ DA PÁTRIA, elaborado pela Escola Mista Municipal de Ribeirão do Salto, no município de Taió, apresenta-se manuscrito em papel almaço pautado e organizado em quatro páginas. A edição reúne textos históricos, cívicos, narrativos e informativos, destacando as comemorações da Proclamação da República e do Dia da Bandeira, além de registrar acontecimentos da comunidade escolar, como aniversários e falecimento de uma professora. Os conteúdos evidenciam a valorização do patriotismo, da formação moral, da produção textual dos alunos e da preservação da memória da comunidade.

Mais detalhes sobre esta edição

A edição inicia com uma capa ilustrada por duas bandeiras brasileiras cruzadas sobre o contorno do mapa do Brasil, identificando o periódico como órgão mensal da Escola Mista Municipal de Ribeirão do Salto e apresentando sua equipe editorial. Entre os textos publicados destaca-se A festa da Bandeira, que explica a origem e o significado das cores da Bandeira Nacional, incentivando o respeito aos símbolos patrióticos. Em seguida, o texto 15 de novembro relembra a Proclamação da República e a atuação do Marechal Deodoro da Fonseca, enquanto a reprodução do Hino da Proclamação da República ocupa boa parte da edição, exaltando a liberdade, a união nacional e os ideais republicanos. O jornal também registra os aniversários de alunos e moradores da comunidade, encerrando a relação com votos de felicidades aos homenageados. Outro destaque é a nota de Falecimento, dedicada à professora Leopoldina Negreiros, lembrada por sua atuação no magistério e por sua dedicação aos alunos, acompanhada de uma mensagem de condolências dirigida à família. A produção literária da edição é representada pela narrativa Vovó de mentira, que relata uma brincadeira infantil envolvendo um menino disfarçado de avó e transmite uma situação de humor do cotidiano escolar, além de um pequeno Bilhete entre estudantes, evidenciando formas de comunicação presentes no ambiente escolar. Graficamente, o periódico mantém elevado cuidado estético, com capa colorida, títulos centralizados e sublinhados, textos organizados em colunas delimitadas por linhas traçadas à régua e identificação dos autores e de suas respectivas séries, demonstrando o envolvimento dos alunos tanto na produção textual quanto na elaboração visual do jornal.

Fotos

Acervo

Colaboradores

Sobre a escola

Escola Municipal Isolada Ribeirão do Salto

A Escola Municipal Isolada Ribeirão do Salto, situada na comunidade rural de Ribeirão do Salto, integrava, em 1945, o Distrito de Taió, então pertencente ao município de Rio do Sul. Após a emancipação político-administrativa de Taió, ocorrida em 1949, a instituição passou a ser identificada nos exemplares de 1951 como Escola Mista Municipal de Ribeirão do Salto, já vinculada ao novo município. Os quatro números do jornal A VOZ DA PÁTRIA comprovam que a escola se encontrava em funcionamento nos anos de 1945 e 1951, atendendo diferentes séries do ensino primário e promovendo atividades de leitura, escrita, civismo e participação estudantil. A pesquisa permitiu constatar que, nas décadas seguintes, a comunidade passou a contar com duas unidades denominadas Escola Isolada Ribeirão do Salto I e Escola Isolada Ribeirão do Salto II. Um levantamento sobre a reorganização das escolas rurais catarinenses registra as duas unidades na rede municipal de Taió, com 49 alunos na escola I e 22 alunos na escola II, no conjunto documental referente ao processo de nucleação do ensino rural. O Arquivo Público do Estado de Santa Catarina também conserva uma fotografia da Escola Isolada de Ribeirão do Salto II, produzida em 1968, identificada como vista externa da unidade localizada em Taió. A legislação municipal informa que a Escola Isolada de Ribeirão do Salto I foi oficialmente criada pelo Decreto municipal nº 98, de 15 de março de 1962. Posteriormente, a Lei municipal nº 2.722, de 2000, alterou sua identificação para Escola de Ensino Fundamental de Ribeirão do Salto I. Essa alteração comprova uma mudança formal de denominação da unidade chamada Ribeirão do Salto I, mas não permite afirmar, sem documentação intermediária, que ela corresponda juridicamente à mesma escola responsável pelo jornal em 1945 e 1951. A instituição registrada nos periódicos já existia antes do ato de criação de 1962; portanto, o decreto pode representar uma reorganização administrativa, uma recriação formal ou o estabelecimento de uma nova unidade na mesma comunidade.

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